segunda-feira, 31 de março de 2014

A Cerâmica Bilú

A Cerâmica de Bilú Atelier

A origem da arte cerâmica se remonta às culturas arcaicas (líticas) onde no começo carecia de cocção e desconhecia a roda (o torno de alfareiro). Não precisavam.

As culturas migratórias as usavam em seus acampamentos estacionais e no final da temporada as guardavam no local até seu retorno na temporada seguinte.

Sua produção e uso tinha caráter ritual – e Totémico – e seus conceitos de utilidade e estética eram um só: o sagrado, como mãe que nutre e protege. Na maioria dessas culturas sua elaboração era quase monopolizada pelas mulheres da tribu.

Posteriormente, com o desenvolvimento da agricultura intensiva, as artes do fogo e as do barro se encontram, aumentando assim a complexidade e diversidade de sua produção e usos.

Consequência deste encontro do fogo com a terra se revelam nas técnicas de empretecimento da superfície mediante carvão ou fumaçado (também chamado de esfumaramento), e junto a estas, a técnica chamada de decoração negativa. 

São estas técnicas o alicerse com o qual trabalhamos nossas peças e são a origem de toda nossa pesquiza. Como derivação da própria pesquiza começamos a experimentar outras técnicas como o uso de esmaltes cerâmicos, as quais somadas as derivadas da fumaça acabaram dando uma identidade marcante a nosso trabalho.

Estas outras técnicas percorrem dois caminhos: O caminho das texturas e o caminho do Rakú (libertação). 

1) O caminho das texturas tenta produzir modificações nas superfícies dos esmaltes. Através do efeito “Clapas” o esmalte se acumula em algumas áreas e se separa em outras descubrindo a superfície da cerâmica; através do efeito “pele de laranja”o esmalte produz ondulações e porosidade na superfície.

2) A técnica do Rakú surge no Japão estreitamente ligada a ceremónia do chá, com origens na filosofia budista, é a técnica preferida pelos mestres ceramistas que elaboram as xícaras para esta cerimonia. O ideograma rakú significa prazer, satisfacção, alegria ou libertação.

Através dela se obtem efeitos de envelhecimento e lustres metálicos por meio de uma série de operações violentas. A técnica trabalha com três elementos esenciais a vida humana, a terra, o fogo e a água, e por sobmeter as peças a fortes shocks térmicos estas desenvolvem acabamentos não previstos.

Trabalhamos assim a técnica do rakú aplicando óxidos metálicos sobre os esmaltes para producir diferentes reacções nas superfícies, e também uma variante do rakú chamado de efeito craquelé producindo desenhos únicos.

Assim foi desemvolvido até hoje o processo de pesquiza nas técnicas cerâmicas no Bilú Atelier e este processo tem producido uma cerâmica original, no sentido que o Arquiteto Antonio Gaudí dava a esta palavra: ”Ser original é voltar as origens”.

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